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RESENHA: Sociedade sem escolas (Ivan Illich) - Vozes

Sexta-feira , 01 de Março de 2019 11:14

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RESENHA

LIVRO: Sociedade sem escolas

AUTOR: Ivan Illich

EDITORA: Vozes

PÁGINAS: 146

A Editora Vozes fez um muito apropriado relançamento do livro SOCIEDADE SEM ESCOLAS, de IVAN ILLICH (1926-2002). O que chama atenção nas obras deste pensador austríaco é que ele foi um severo crítico de diversas instituições modernas, mais destacadamente, a escola, chegando a defender o que ele chamou de “desescolarização da sociedade”.

Possivelmente, este é o livro de maior impacto de Ivan Illich, escrito pelo anos 70 em Cuernavaca (México). Confesso que foi uma leitura bem desconfortável, desinstaladora, mas extremamente realista e necessária.

O autor levanta uma tese muito dura à escolarização e deixa claro que, para ele, não ha relação entre escolarização e aprendizagem, aliás, defende justamente que temos o direito de aprender sem depender da obrigação de frequentar a escola.

Sem meias palavras, Ivan Illich arremete contra um sistema educacional que, à sua época, considerava como burocrático, autoritário e pernicioso para a sociedade.

Ele sustenta que a escola tem tido um efeito contraproducente e que, no fim das contas, o desempenho pedagógico gerou uma grande malversação de esforços e de dinheiro. Como em suas palavras: “nenhuma incompetência, por mais crassa, pode competir com a incompetência do próprio sistema escolar”.

O que achei muito interessante é que esta obra, praticamente 50 anos atrás, já compreendia a necessidade de um processo de educação em redes (teias, como ele chama), e de uma reaprendizagem da própria educação.

Não aprendemos somente na escola, mas também na família, no trabalho, com amigos, meios de comunicação e assim por diante. Claro que o autor não nega a importância da escola, senão que o fato de estar “descolada” de toda uma teia de aprendizagem, além do fato de ser muito cara e ineficiente.

O livro critica, ainda, a educação, ao considerar que está baseada na lógica do consumo e não permite que os alunos possam desenvolver sua imaginação, devido à imposição de um currículo obrigatório igual para todos.  autor também se mostra muito favorável à autoaprendizagem e autodidatismo.

O que mais me chamou a atenção foi que o livro, mesmo tendo sido escrito no início do anos 70, preserva uma atualidade e vigor incríveis. Ao mesmo tempo, o cenário que ele desenha desanimador para a educação, podemos ver os lampejos de esperança ao perceber, na atualidade e a título de exemplo, escolas públicas promovendo disciplinas eletivas, em que é ofertado um currículo flexível, favorecendo um maior protagonismo dos estudantes.

Uma leitura por demais importante, desconfortável, mas muito lúcida e necessária. Gostei demais!

TRECHO: “Creio que o futuro promissor dependerá de nossa deliberada escolha de uma vida de ação em vez de uma vida de consumo. (…). O futuro depende mais da nossa escolha de instituições que incentivem uma vida de ação do que nosso desenvolvimento de novas ideologias e tecnologias” (p. 71-72).


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