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EVANGELIZAÇÃO DO DESCOBRIMENTO E DESCOBRIMENTO DA EVANGELIZAÇÃO

O grande santo Dom Bosco dizia que um bom cristão também precisa ser um bom cidadão. Não poderia haver sentença mais precisa!

Neste momento que celebramos o descobrimento do Brasil, cabe refletir sobre o sentido de nação, pátria, povo e fazer memória à nossa herança cultural, que gerou a identidade cristã do nosso país, que traz plantado em seu solo a cruz de Cristo e, por isso, terra de Santa Cruz.

Desse modo, torna-se inseparável pensar o descobrimento, para além da colonização, também considerar outra história em paralelo, qual seja, a íntima relação entre nação, missão e evangelização, pois o conceito mesmo de pátria e nação carrega uma profunda relação entre o aspecto material e espiritual, entre o território e a cultura.

Já o Código de Direito Canônico traz uma belíssima expressão que diz: “A ação propriamente missionária, pela qual a Igreja se implanta entre os povos ou grupos onde ainda não está enraizada, realiza-se na Igreja principalmente por meio do envio de pregadores do Evangelho até as novas Igrejas se encontrarem plenamente constituídas, isto é, quando já estiverem dotadas de forças próprias e meios suficientes para poderem realizar por si mesmas a obra da evangelização” (CIC 786).

Uma vez que recebemos por herança a fé cristã, a Igreja em nosso país – já não tão mais nova – encontra força e meios próprios para ser protagonista e agente da Nova Evangelização. Este tema tão caro ao querido Santo Padre João Paulo II, tem recobrado cada vez mais força e urgência por meio dos pontificados de Bento XVI e Francisco. De modo que o Brasil que, por sua vez, tem levado e gravado a Santa Cruz em tantas outras terras e culturas, até mesmo no chamado velho mundo, reenvangelizando nossos irmãos mais velhos e resgatando a “força e a beleza da fé” (Porta Fidei, 4).

Neste sentido e, pela perspectiva da evangelização, podemos conferir uma ressignificação da palavra Patriotismo, ao compreendê-la como o amor a tudo aquilo que faz parta da pátria (Cf. JOÃO PAULO II, 2005, p. 78), portanto, também a nossa herança cristã e católica. Ainda João Paulo II chega mesmo a dizer que a nossa história de salvação pessoal precisa também redimir a nação e a pátria: “a história de todas as nações é chamada a entrar na história da salvação; realmente Cristo veio ao mundo para levar a salvação a todos os homens” (IBIDEM, p. 85).

Com essas palavras do Santo Padre, compreende-se que a experiência íntima e pessoal com Nosso Senhor, leva-nos à transformação da sociedade que, como fermento, vai conferindo nova identidade ao povo, identidade de povo de Deus, de filhos amados de Deus! Portanto, inseparável é a experiência da fé com o patriotismo e o sentimento de pertença à nação.

Aliás, é muito interessante perceber que na raiz da palavra patriotismo está o conceito de pai, paternidade e, na raiz da palavra nação está o de geração, maternidade.

Para além da etimologia, podemos dizer que o Evangelho, ao chegar aos povos confere mesmo um novo significado ao conceito de pátria. Mais do que aquilo que herdamos dos nossos pais e mães sobre a Terra, traz a ideia de que a história humana e de nosso povo foi tocada por Jesus, convidando-nos, desde então, a buscar a “Pátria Celeste e Eterna” (Cf. JOÃO PAULO II, 2005, p. 75).

A evangelização sempre foi a missão e o movente da Igreja, levando homens e mulheres aos lugares mais distantes e inóspitos, doando a vida, tempo e talentos a fim de tornar Jesus conhecido e amado.

Sejamos gratos a Deus por enviar seus missionários que trouxeram a fé cristã e católica a nós, ao mesmo tempo em que também busquemos renovar nosso compromisso evangelizador. A história da evangelização em nosso país e ad gentes segue sendo escrita na vida de Igreja e no apostolado de cada um de nós. Viva o Brasil, Terra de Santa Cruz!

 Francisco Elvis Rodrigues Oliveira


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