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RESENHA: O que é Conservadorismo (Roger Scruton) - É Realizações

Domingo , 09 de Junho de 2019 11:15

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RESENHA

LIVRO: O que é conservadorismo

AUTOR: Roger Scruton

EDITORA: É Realizações

PÁGINAS: 328

 

Felizmente, algumas editoras brasileiras têm descoberto o pensamento conservador, e que esse tipo de publicação vende! Nessa esteira, graças ao formidável e corajoso trabalho da Editora É Realizações o público brasileiro passa a ter mais acesso a obras com esse perfil.

 

Esta temática, até pouco tempo considerada marginal, vem adquirindo uma capital importância em diversos países. Seja no campo político, dos costumes, economia, mercado editorial, ordem social, cultural, tradição jurídica, mundo acadêmico etc.

 

Bem, vamos ao livro! O que conservadorismo? Essa é uma das grandes questões que filósofo britânico Roger Scruton tem se dedicado. Como ele mesmo define, buscar entender o que é conservadorismo tem sido o trabalho de sua vida. Embora, nesta obra não seja sua intenção sistematizar o pensamento conservador, Scruton consegue organizar o pensamento, em forma de uma filosofia política, e apresentar os princípios, valores e aplicações do pensamento conservador britânico.

 

Para Scruton, o conservadorismo tem a ver com herança histórica que recebemos e que se considera como algo de bom a ser preservado e transmitido à gerações futuras. Precisamente como o nome indica: entender que isto ou aquilo tem sido bom para a sociedade e buscar conservar tais elementos.

 

Ao mesmo tempo, não se trata de um movimento reacionário. Nada mais enganoso pensar algo desse tipo. Roger Scruton entende que muitos que são contra este tipo de viés de pensamento, meramente são contra as coisas, apontam suas falhas, dizem que querem uma alternativa, mas não definem qual alternativa seria, não apresentam propostas.

 

Por outro lado, defender o que existe coloca o conservadorismo em uma posição muito mais difícil e exigente. Familiarizar-se com o que ocorreu historicamente na sociedade e cultura, com a ordem legal que foi herdada e assim por diante.

 

O que chama a atenção nesse livro é a clareza e força dos argumentos de Scruton. Por exemplo, temos ouvido muito falar em luta por direitos, em busca de mais direitos. Nada mais justo. No entanto, pouco se vê falar sobre as obrigações, os deveres nossos enquanto cidadãos. Roger Scruton traz uma reflexão muito contundente sobre a questão da autoridade e obediência, lei, liberdade, trabalho e vida pública. Em tudo isso, o sentido de comunidade é muito forte e presente nesse livro.

 

Scruton sustenta que a visão conservadora não é ultrapassada nem irracional. Ao contrário, é a alternativa política mais razoável! Os males do socialismo, como ele afirma, estão precisamente onde seus apoiadores encontram seus pontos fortes e as condições para a credibilidade do socialismo têm desaparecido já há muito tempo. Nem o socialismo nem o liberalismo podem chegar a um acordo com a real complexidade da sociedade humana, e ambos parecem plausíveis apenas porque desviam a atenção do que é real para o que é meramente ideal.

 

TRECHO:Faz parte do conservadorismo resistir à perda de ideologia. O mundo sem valores não é um mundo humano: ele não contém sugestões de sociedade” (p. 223).

 

MINHA OPINIÃO: Scruton tem tornado um dos autores mais relevantes do pensamento conservador liberal dos últimos anos. Além disso, em conjunto com suas ideias, a qualidade de sua escrita é muito envolvente. Uma das maiores contribuições ao pensamento político contemporâneo. Mais do que importante, é livro urgente! ★★★★★