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A LECTIO DIVINA

Período:
06.12.2018
Local
Lectio Divina é um método de leitura orante das Sagradas Escrituras que remete às primeiras comunidades cristãs...

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Lectio Divina é um método de leitura orante das Sagradas Escrituras que remete às primeiras comunidades cristãs que, sob influência do judaísmo também se reuniam para orar, escutar e meditar a Palavra de Deus. O termo latino como ficou conhecida tal prática é devido a Orígenes (185-254 d.C.). Daí por diante, a salutar prática ganhou os mosteiros por volta dos séculos V e VI, tornando-se comum no seu itinerário espiritual e atividade cotidiana. No entanto, foi por volta do ano 1150, com o monge cartuxo Guido II, que a Lectio Divina ganhou a forma que temos hoje, organizada em suas conhecidas 4 partes: lectio, meditatio, oratio e contemplatio. Nas palavras do monge: “Buscai na leitura e encontrareis na meditação; batei pela oração e encontrareis pela contemplação”.

Houve um certo declínio desta prática durante a Idade Média e, uma revalorização vem ocorrendo a partir do século XX, seja com o movimento bíblico ou ainda com o Concílio Vaticano II. Destacamos a instrução que nos dá a Constituição Dogmática Dei Verbum: “É necessário, por isso, que todos (...) mantenham um contato íntimo com as Escrituras, mediante a leitura sagrada e o estudo aturado” (DV 25).

O mesmo documento é iniciado com uma grande verdade assegurada pela Igreja e que deve orientar nosso ministério sempre que nos dirigirmos a uma pregação, ou antes ainda, já em sua preparação. O que o texto da Dei Verbum nos deixa claro é que Deus sempre quer se revelar ao seu povo. Também a Exortação Apostólica Verbum Domini acompanha esta mesma afirmação. A iniciativa é dele, é Deus quem quer falar e responder nossas perguntas (Cf. DV 2; VD, 4). Assim, “na história do relacionamento entre Deus e o homem, a este sempre coube a busca, mas o conhecimento em concreto deriva muito mais do interesse de Deus em se comunicar”. Com base nesta vontade divina em dar-se a conhecer ao seu povo, também nós, pregadores, podemos mitigar todo vestígio de dúvida e insegurança e sabermo-nos capazes de “alcançar o conhecimento de Deus e transmiti-lo aos irmãos”. Sabemos que a Revelação, por meio da economia cristã, é completa, definitiva e jamais passará, ao mesmo tempo, ela também está constantemente sendo explicitada, desdobrando-se na história. É, pois, nesta perspectiva de colaboração da explicitação e desdobramento que os pregadores podemos cooperar com o serviço do anúncio da Palavra de Deus que se revela.

É por esta razão que não podemos correr o risco de ler sem compreender os textos sagrados. Não queremos ficar sem conhecer o dom de Deus oferecido pela sua Palavra inspirada. Precisamente, este é o motivo pelo qual buscamos e também indagamos, perguntando ao texto. Mais que isso, nos deixamos também inquirir e indagar por ele. De modo semelhante ao que aconteceu com o eunuco da rainha Candace que lia a Bíblia, no profeta Isaías, em seu carro, no meio do deserto. Felipe aproximou-se dele e perguntou se entendia o que estava lendo, ao que o eunuco respondeu: “Como é que posso, se não há alguém que me explique?” (Cf. At 8, 27-31).

No ano de 1993, a Pontifícia Comissão Bíblica buscou termos mais precisos para definir o que seria a Lectio Divina: “A lectio divina é uma leitura, individual ou comunitária, de uma passagem mais ou menos longa da Escritura acolhida como Palavra de Deus e que se desenvolve sob a moção do Espírito em meditação, oração e contemplação”. A leitura orante da lectio divina pretende ser um modo de realizar esta forma total e completa de aproximação da Bíblia, a fim de que possamos alcançar o mais profundo, sem descurar os demais métodos de compreensão da Bíblia, senão que aproveitando-os todos em todos os seus aspectos, mas sempre sob a perspectiva do anúncio espiritual e querigmático.

O monge Guido II chegou a comparar a Lectio Divina com uma escada. Nela, cada etapa do processo é como um degrau. A base está assentada sobre a Bíblia e a parte superior alcança e penetra o coração de Deus. E este é o objetivo desta leitura orante. 

Embora esta imagem seja bem apropriada, alguns autores ainda a comparam com as batidas coração, no sentido de indicar uma dinâmica nesta prática de oração. Dinâmica entre aquilo que sai do orante e aquilo e aquilo que chega até ele, proveniente de Deus. Ou seja, na leitura, é o orante quem estuda o texto, mas na meditação, ele encontra a verdade escondida do texto; na oração, o orante abre o coração para Deus, mas na contemplação, ele experimenta a alegria eterna do amor de Deus.

Esta aproximação da Palavra de Deus nos leva a compreender que a Bíblia é palavra que “diz” e ao mesmo tempo que “faz dizer”. Isto é, em sua dinâmica, a Lectio Divina conduz o orante a se colocar algumas perguntas:

Leitura: O que o texto diz?

Meditação O que o texto me diz?

Oração: O que o texto me faz dizer?

Finalmente, chegando ao momento da Contemplação, é a hora em que a Palavra de Deus, pode tornar-se minha própria palavra. Deste modo, cumpre-se o que já ensinava o Cardeal Maria Martini que o “pregador só pode dar a Palavra se antes torná-la sua”. Ou seja, dá-se o processo de formação de “Cristo em nós” mediante a leitura orante da Sagrada Escritura.

Domingo , 06 de Janeiro de 2019

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