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AMIZADE E O QUILO DE SAL

Período:
06.12.2018
Local
Dia desses recebi um “pedido de amizade” por meio de uma rede social...

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Dia desses recebi um “pedido de amizade” por meio de uma rede social. Confesso que nunca havia percebido o que se seguia após a confirmação de tal pedido, mas desta vez foi diferente. Confirmei a solicitação pelo celular e observei que apareceu uma mensagem subsequente que dizia: “Vocês são amigos agora”. Aquilo me chamou a atenção e me deixou um pouco intrigado, questionando se amizade era assim mesmo algo tão rápido e imediatamente pronto de se conseguir. Afinal, eu tinha aprendido que um amigo é um tesouro (Cf. Eclo 6, 14) e que, justamente por sê-lo, a amizade é algo raro, que não se encontra em qualquer lugar e que leva um tempo se conquistar.


Essa ideia de que a amizade requer um tempo para ser gestada é bem antiga e já é objeto de reflexão dos antigos pensadores, tanto os gregos quanto os romanos. Portanto, estamos falando de algo entre 400 e 200 anos antes da era cristã, onde a amizade já aparecia como um problema filosófico. A título de exemplo, temos Aristóteles que afirma em sua Ética a Nicômaco que “não podemos conhecer as pessoas enquanto elas não tiverem ‘consumido juntas o sal proverbial’”[1]. Este mesmo princípio está também presente na obra A amizade, do político e filósofo romano Marco Túlio Cícero: “É preciso comer muitos módios de sal com alguém para que a amizade se consolide plenamente”[2].

Sobre esta questão do sal, vem à mente um anedótico caso da vida de Lampião, o rei do cangaço: diz-se que, certa vez, Lampião pediu a uma senhora que preparasse comida para ele e seus homens, ao que esta, pelo nervosismo da situação, acabou esquecendo de colocar sal no alimento. Um dos cangaceiros de Lampião começou a reclamar com a mulher do insosso da comida que estava sem gosto. Lampião, então, despejou um quilo de sal no prato do reclamante e o obrigou a comer toda aquela comida. Conta-se que o cangaceiro morreu antes mesmo de terminar o prato...

Pois é, parece que a amizade deve mesmo ser “salgada” aos poucos, em medidas, quase que em conta-gotas. Poderíamos dizer que existe uma certa “economia da amizade”, onde esta vai sendo revelada e construída com o passar do tempo e da convivência. Pois, tanto é temerária uma amizade surgida sem que se “coma o sal” juntos por um tempo, quanto também é perigosa uma em que se “come todo o sal” de um só golpe.



[1] ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. [1985]. Trad. Port. Mário da Gama Kury. 4. ed. Brasília: UnB, 2001, p. 157.

[2] CÍCERO, Marco Túlio. Da amizade. Trad. Gilson Cesar Cardoso de Souza. Col. Breves encontros. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 82. Em outra tradução temos a seguinte fórmula: “É preciso ter comido muito sal juntos antes de cumprir deveres de amizade” (Lélio ou A amizade. Trad. Port. Paulo Neves. Col. L&PM Pocket. N.º 63. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2010, p. 121).

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